Surucucu pico de jaca: uma cobra realmente perigosa

A surucucu pico de jaca tem como nome científico Lachesis muta. Entretanto, é também vulgarmente conhecida como:

  • Surucucu;
  • Cobra-topete;
  • Surucutinga;
  • Surucucu-de-fogo;
  • Surucucutinga.

Esta é tida como uma das maiores serpentes peçonhentas de toda a América Latina. No Brasil podem ser encontradas duas das subespécies desse gênero Lachesis: L. muta rhombeata e L. muta muta.

No nome “surucucu” tem origem no tupi, que significa “aquela que morde bastante”. Já os nomes “surucutinga” e “surucucutinga” também vêm do tupi, mas querem dizer “surucucu branca”.

O gênero Lachesis faz referência a Láquesis. Ela era uma das integrantes das Moiras na mitologia grega. Eram as Moiras que escolhiam o destino que os seres humanos e os deuses teriam.

A serpente foi descrita por Linnaeus em 1766, originalmente denominando-a Crotalus mutus (cascavel silenciosa). Muta, ou seja, “muda”, no latim, faz referência ao vibrar da causa da surucucu, tal como faz a cascavel. Entretanto, não emite o ruído característico desse “chocalho”.

As características da surucucu pico de jaca

curiosidades interessantes

Algumas características são bem peculiares da surucucu pico de jaca. Entre elas estão:

  • A cobra apresenta um porte grande, atingindo o comprimento de cerca de 3,5 metros;
  • Tem a fosseta loreal bastante aparente entre a narina e o olho;
  • Sua dentição se mostra como solenóglifa;
  • A parte dorsal de sua cabeça tem a cor amarela-alaranjada, com algumas manchas mais escuras de formas e tamanhos irregulares;
  • Seu corpo também possui cor amarela-alaranjada com manchas pretas, mas que possuem formato de losango claro;
  • As escamas do dorso da surucucu pico de jaca são pontudas, lembrando a casca de uma jaca, daí seu nome;
  • Seu ventre tem a cor branca;
  • A cauda é curta, tem escamas bem eriçadas e é negrejada.

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Os acidentes ocorridos com a surucucu pico de jaca

Acidentes acontecidos com as serpentes desse gênero, são chamados de acidentes laquéticos. Eles ocorrem com pouca frequência, entretanto com um grau alto de severidade.

As consequências das picadas de uma surucucu pico de jaca, caracterizam-se pelo dano no tecido acentuado e pelo efeito sistêmico, como: 

  • Hipotensão;
  • Bradicardia;
  • Tontura;
  • Náusea;
  • Cólica abdominal;
  • Diarreia.

De todos os acidentes com serpentes, representam aproximadamente 1,4 % dos ocorridos no Brasil anualmente.

Em contrapartida ao que várias pessoas acreditam, essas cobras não se aproximam intencionalmente de um indivíduo para picá-lo. As tragédias muitas vezes ocorrem porque sua presença não é percebida pelas vítimas. Assim, estas acabam chegando perto demais do animal.

Sabendo disso, quando alguém se encontrar no seu habitat natural, deve manter total atenção. Para se proteger da surucucu pico de jaca, deve-se priorizar os pés e pernas. Isso porque 80% das picadas ocorrem nos membros inferiores.

Para tanto, pode-se fazer usar os seguintes calçados:

  • Sapatos resistentes, como botas grossas e de cano alto;
  • Perneiras de couro;
  • Sapato bem fechado;
  • Botinas.

Habitat da surucucu pico de jaca

surucucu víbora

Essas cobras vivem em meio às florestas bem densas, em especial nas matas da Amazônia. Contudo, existem registros nas literaturas da presença da surucucu pico de jaca em locais isolados com resquícios da Mata Atlântica.

Infelizmente, o gênero Lachesis muta está ameaçado de extinção, enquadrando-se na categoria de espécies vulneráveis.

No Bahia, pode ser encontrada em vários municípios como:

  • Belmonte;
  • Amargosa;
  • Camamu;
  • Ibicaraí;
  • Entre Rios;
  • Ilhéus;
  • Maraú;
  • Itacaré;
  • Mutuípe;
  • Piraí do Norte;
  • Pau Brasil;
  • Santa Cruz Cabrália;
  • Teixeira de Freitas;
  • São Felipe;
  • Uma;
  • Valença;
  • Uruçuca.

A toxidade e peçonha

surucucu pico de jaca

Pode-se dizer que peçonha do tipo laquética mostra-se com a ação proteolítica. Ocasiona lesões teciduais, ações hemorrágicas e neurotóxicas. Difere um pouco da peçonha do tipo botrópica, já que pode ocasionar uma síndrome vasovagal em certas vítimas.

A peçonha tende a consumir fibrinogênio e protrombina,  gerando uma coagulopatia chamada “coagulação intravascular disseminada”. 

A única forma de tratamento que está disponível nos dias de hoje é a injeção intravenosa de soro antibotrópicolaquético.

 O veneno tem como ação a forma proteolítica, ou seja, pode causar:

  • Atividades inflamatórias agudas no organismo;
  • Atividades hemorrágicas;
  • Atividades coagulantes;
  • Atividades neurotóxicas.

A sintomatologia no acidentado é devido à suas ações proteolíticas, hemorrágicas e coagulantes do veneno. Assemelha-se à picada botrópico, que é a causada pelas temíveis jararacas. Compõe-se de:

  • Dor;
  • Edema;
  • Equimose, que tem grandes chances de progressão para todo o membro atingido;
  • Formação de algumas bolhas;
  • Gengivorragia;
  • Hematúria.

A diferença da picada botrópica se dá devido aos sintomas neurotóxicos:

  • Hipotensão arterial;
  • Bradicardia;
  • Sudorese;
  • Vômito;
  • Náusea;
  • Cólica abdominal;
  • Distúrbio digestivo.

A vítima pode chegar ao falecimento por conta de uma insuficiência renal aguda.

É preciso traçar as diferenças entre os envenenamentos botrópicos e laquéticos, mesmo sendo relativamente mais complicado. Isso ocorre devido às semelhanças entre sintomas apresentados.

No caso da cobra causadora da picada não ter sido resgatada e encaminhada para o hospital, alguns sintomas se relacionam com as ativações do sistema nervoso autônomo parassimpático.

Estes são de exclusividade das picadas do tipo laquéticas, sendo precoces e evidentes. Assim, o diagnóstico é facilitado e o tratamento administrado com mais especificidade. Em caso de dúvidas deve-se sempre fazer uso do soro antibotropicolaquetico.

Os seus hábitos alimentares

A surucucu pico de jaca, com os períodos de atividades noturnos, alimenta-se principalmente de alguns roedores, como:

  • Cotias;
  • Ratos;
  • Esquilos;
  • E até alguns marsupiais.

A reprodução da surucucu pico de jaca

curiosidades interessantes

Esse gênero de serpente é ovíparo. Tem-se registro de cerca de 20 ovos botados por uma única cobra. Um fato bem interessante é que essa espécie é a única viperídea em solo brasileiro.

As fêmeas se enrolam junto aos seus ovos, como uma maneira de cuidados parentais. Os filhotinhos da surucucu pico de jaca nascem com aproximadamente 50 cm de tamanho.

O comportamento em modo de defesa das cobras

Assim como os demais viperídeos, essa cobra dá o bote em modo de defesa no intuito de picar. Ela acaba fazendo o “s” também com a parte superior do seu corpo, de forma a se posicionar em frente do observador.

A cauda vibrante no chão é sinal de preparação para o ataque. A tonalidade críptica faz da surucucu pico de jaca um animal camuflado, principalmente quando está no chão de uma floresta.

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